Caríssimos leitores,
Já com algum atraso, venho relatar muito brevemente um belo fim-de-semana de Páscoa.
Como qualquer um de vós, quando pensei no que fazer na Páscoa, algo se iluminou na minha mente: "Noruega! É isso!"
Algum tempo depois de reservar tudo, pensei novamente: "Espera lá, mas o bacalhau é mais na altura do Natal...". Mas era tarde de mais.
Sendo assim, o meu destino de Páscoa foi a capital do país do bacalhau, dos ursos polares e dos trolls, Oslo.
Certamente não será o local mais representativo da cultura Norueguesa e, pelo que li, está longe de ser considerada a mais bela cidade do país. Mas foi esse o ponto de partida escolhido, principalmente devido às ligações aéreas de Rygge (a 60km de Oslo) para Weeze (o aeroporto mais próximo de mim) e para Cracóvia (ou pensavam que fui sozinho?).
Devo dizer que Oslo não deixa de ser uma cidade bonita. Geralmente bem tratada, com bastantes edifícios interessantes, arquitectonicamente falando (embora não seja eu quem percebe disso), a cidade é povoada por esculturas e espaços verdes, e banhada pela água do mar que enche o Oslofjord (que, apesar do nome, não é exactamente um fiorde).
Durante a viagem foi fácil verificar que os Noruegueses realmente apreciam a natureza e, portanto, o seu país. Muitas bicicletas (não tantas como na Holanda, mas isso é difícil), muitos jardins espalhados pela cidade, e sempre a sensação de que respiramos ar puro, mesmo no centro da capital.
Mesmo sendo a capital, qualquer Norueguês que se preze tem à sua disposição, a minutos de distância, a possibilidade de velejar, de caminhar ou pedalar pela floresta ou montanha, de esquiar, e tudo o que envolva actividades ao ar livre, de que tanto gostam.
Pareceu-me um local agradável para se viver, mas obviamente também tem os seus pontos menos bons.
Um deles, pelo menos do ponto de vista de um Português, é o facto de no início de Abril (altura em que esta viagem foi feita) uma pessoa sentir na pele, especialmente se estiver vento, temperaturas pouco ou nada acima dos 0ºC, durante o dia. Em pleno Inverno o frio e a escuridão imperam, pelo que não me parece ser um local muito agradável nessa altura do ano.
É também, como pudemos verificar, uma cidade cara. Ou melhor, é uma cidade cara que se farta. Possivelmente isso não é tão aborrecido para quem tem um ordenado Norueguês, portanto imagino que este impacto seja maior nos turistas.
Tirando estes pontos, por demais conhecidos, é uma cidade bastante porreira com locais interessantes para visitar, sendo que um fim-de-semana não chega para tudo, obviamente.
Dos pontos mais interessantes da cidade, posso referir o parque Vigeland (que constitui parte do parque Frogner), preenchido com esculturas de Gustav Vigeland (um importante escultor Norueguês), a fortaleza, a Ópera e ainda vários belos edifícios espalhados pelo centro da cidade.
Interessante também é o Folkemuseum, situado na península de Bygdøy, acessível, nesta altura do ano, de ferry a partir do porto da cidade. É um museu ao ar livre para onde foram levados diversos edifícios de diferentes partes do país, representando construções tradicionais, maioritariamente em madeira. Um dos mais impressionantes é uma igreja de madeira, originária da localidade de Gol.
Ainda na mesma península, fizemos uma visita a um museu dedicado ao barco Kon-tiki. Infelizmente, por ser dia de Páscoa, não foi possível visitar outro dos museus interessantes da zona - o museu dos barcos Vikings.
Para além disto, fiquei a saber que os Noruegueses bebem muito café, embora isso se deva ao facto do café ser fraco, e consequentemente consumido em grandes quantidades. Os Portugueses nunca chegariam aos calcanhares deste povo, já que bebemos meros shots potentes de bom café.
Deu ainda tempo para provar bacalhau, pizza (muito tradicional), gelados (mesmo com o frio) e ainda Aquavit, que é basicamente vodka feito a partir de batata, com umas ervas, e por vezes envelhecido em cascos de carvalho, havendo ainda diversas outras variantes. Algo que fiz questão de trazer comigo para saborear em casa.
E pronto, deixo aqui algumas fotos que resumem o fim-de-semana em milhares de palavras.
Farvel!
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Oslo
segunda-feira, 22 de março de 2010
Mono
Sejam, mais uma vez, muito bem vindos ao meu humilde recanto nesta rede global de conteúdos onde, claramente, a pornografia se destaca.
Infelizmente, não vos venho falar de pornografia ou algo remotamente parecido. Mas como, eventualmente, agora que escrevi essa palavra, muitos vão aqui chegar através de pesquisas no google, achei que devia colocar este aviso, para que deixem de ler se assim entenderem.
Falarei então do assunto deste post, já de seguida.
No passado domingo dia 21 de Março desloquei-me, mais uma vez, ao Doornroosje, para ver o concerto de Mono.
Mono. Não me refiro a mim próprio, nem tampouco a uma única saída de som, contrariamente a Stereo. Refiro-me, sim, a uma banda Japonesa de post-rock, esse género musical de que tanto gosto.
Já várias vezes aqui falei de post-rock.
Normalmente a música, dependendo do estilo, desperta vários tipos de emoções em mim. Por outro lado, determinados tipos de músicas adequam-se, por uma razão ou outra, ao momento emocional que esteja a viver.
Para mim o post-rock adequa-se a qualquer tipo de emoção. Em momentos tristes, uma música soa triste, mas em momentos felizes já parece o oposto.
Mas voltando ao concerto, devo antes referir a banda que o abriu. Uma banda Holandesa chamada Izah. Mais pesados, na onda do post-metal, tendo semelhanças com Cult of Luna ou Isis (e diversos outros estilos), agradaram-me bastante, e procurarei segui-los no futuro, se possível. Por isso mesmo é que desta vez fiz um esforço para lá estar a tempo do primeiro concerto.
Quanto à banda Japonesa, esta tem, obviamente, semelhanças com outras bandas do género, com Mogwai à cabeça.
Mas têm, também, a sua própria assinatura.
Apenas instrumental, com bastantes músicas de duração acima dos 10 minutos, são capazes de quase pôr os ouvintes em transe, tal a calmaria e suavidade das melodias, para mais tarde os arrebatar com explosões sonoras, brutais e belas ao mesmo tempo.
Posso dizer que já os conhecia há uns anos (3 ou 4), mas nunca os tinha ouvido tão atentamente como outras bandas do género.
Entretanto prenderam definitivamente a minha atenção. O concerto foi fantástico, com momentos de rara beleza musical. Um daqueles concertos em que sabia perfeitamente que estava cansado, já depois de umas horas em pé, mas não o sentia. Só quando definitivamente se foram embora me apercebi do torpor nas pernas, e lá fui comprar um poster (que agora está na parede da sala) para me pôr a caminho de casa.
Só para terem a noção do nível deste concerto e da importância que lhe dei, digo-vos que à mesma hora jogava o meu Benfica contra o fóculporto. Ok, a competição não era assim tão importante, mas não troco um jogo do Benfica por qualquer banda. :)
Estou neste preciso momento a ouvir algumas das músicas deles, e só posso recomendá-las vivamente.
Deixo aqui um cheirinho, para quem quiser experimentar.
Mono - Halcyon (Beautiful Days)
Mono - Ashes In The Snow
Tot ziens!
sábado, 13 de março de 2010
The Gathering
Caríssimos leitores,
Depois de bastante tempo sem ir a nenhum concerto (não sei como consegui), decidi finalmente aproveitar o facto de me encontrar num país onde os bons concertos proliferam.
É certo que Nijmegen não é a melhor cidade da Holanda para isso, mas não me posso queixar, já que há alguns bares por aqui onde passam bandas interessantes.
Um deles chama-se Doornroosje (Bela Adormecida, em Português, sem dúvida o nome que eu daria a um bar com concertos...) e recebeu, ontem (12 de Março) uma banda Holandesa já aqui referida.
Pois claro, The Gathering. Agora (ou melhor, de há um ano para cá) com uma nova vocalista (a Norueguesa Silje Wergeland), lançaram recentemente um novo álbum - The West Pole - que estão a promover nesta altura.
Foi um bom concerto. Acho é que não devia ter jogado futebol umas horas antes. Assim não pude evitar algum cansaço enquanto lá estava.
Ainda assim soube bastante bem ouvir uma bela voz (a vocalista esteve muito bem) e boa música de uma banda que ainda não conheço muito bem.
Já agora, deixo aqui um vídeo de uma das músicas tocadas ontem, do já referido novo álbum.
The Gathering - All You Are
É sempre porreiro ter bons concertos por perto, principalmente depois de já ter vivido num sítio onde nada de interessante se passava em termos musicais (falo, obviamente, de Waterford), e é algo que tenciono aproveitar mais no futuro. Daqui a uma semana digo mais qualquer coisa. :)
Tot ziens!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A minha bicla
Prezados leitores,
Um dos ícones da Holanda e o meio de transporte de eleição de muitos dos seus habitantes é, como sabem, a bicicleta.
Fui adiando a compra de um desses veículos durante algum tempo, mas desde que me mudei para perto do centro da cidade comecei a achar que me faria jeito, como transporte diário para o trabalho.
Sendo assim, nos últimos dias tenho-me juntado aos muitos ciclistas que povoam as faixas de rodagem existentes para esses velocípedes de duas rodas.
Cá está ela!
Para comemorar a ocasião, deixo aqui, também, duas músicas dedicadas, em tempos idos, por duas grandes bandas, a este veículo.
Pink Floyd - Bike
Queen - Bicycle Race
Tot ziens!
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Tatra, ski, trenós e sal
Estimados leitores,
Estamos no Inverno. Ao pensar nisto, imagino montes de neve a cair e brancura a embelezar toda a paisagem. Pelo menos é assim que o Inverno está presente no meu imaginário e, mais particularmente, o Natal.
Pois, tudo isso é muito bonito, mas sempre que a temperatura chegava a uns 5 ºC, já estava a queixar-me do frio de rachar.
Após algum tempo a viver em países mais frios, se o termómetro indicar 5 ºC, penso para mim: "Porreiro, o tempo está a aquecer!". Uma pessoa habitua-se.
Contudo, algo de grave se está a passar na minha mente. Isso torna-se por demais evidente quando, ao constatar que lá fora estão -2 ºC, reajo com um "Olha, até nem está frio hoje!".
Mas deixarei esses devaneios para outra altura. Esse episódio passou-se há pouco mais de uma semana quando, farto deste clima temperado, onde as temperaturas têm medo de baixar muito do zero, me desloquei à Polónia por uns dias (entre 11 e 16 de Fevereiro).
Como sabem, na Polónia o Inverno é orgulhosamente branco, frio, agreste, com ruas cheias de neve e estalactites de gelo nos telhados, perigosamente apontadas aos transeuntes. Enfim, faz jus ao seu nome. Mesmo assim, e como já referi, não estava muito frio quando lá cheguei (os tais -2 ºC).
Depois do primeiro dia passado em Cracóvia, seguimos viagem em direcção aos montes Tatra, que formam uma fronteira natural entre Polónia e Eslováquia.
Ficámos então alojados numa espécie de Bed & Breakfast em Białka Tatrzańska (já consigo escrever isto à primeira, sem erros), uma aldeia a cerca de 75km de Cracóvia.
Como naquela localidade não se passa absolutamente nada a não ser na estância de ski, lá fomos nós alugar umas tábuas para pôr nos pés, umas estacas para espetar na neve e umas botas com as quais parecia que estávamos a dar os primeiros passos neste mundo.
Enfim, posso dizer que o ski correu muito melhor do que esperava. Nunca me aventurei muito, mas ao menos lá aprendi a travar (sempre muito útil), a deslizar um bocado, eventualmente virar um pouco e, em último caso, atirar-me para o chão caso a travagem normal não estivesse a fazer o efeito desejado.
É claro que, estando na Polónia, um copo de vinho aquecido depois de esquiar vinha mesmo a calhar (ui, que trocadilho... vinho... vinha... ah, ah, ah... ah... ou não...).
Pequeno-almoço e jantar, no Bed & Breakfast, sempre muito bem servidos, embora o jantar, sendo entre as 16 e as 17h, para mim fosse mais um lanche bastante puxado.
Numa dessas noites, fizemos um passeio num trenó puxado por um cavalo (que se chamava "ursinho de peluche") pelo bosque, até um local onde assámos uma espécie de chouriças (os enchidos locais são obviamente diferentes dos nossos, mas acho difícil não gostar) e queijo das montanhas, enquanto bebiamos uma cerveja também da região (cerveja Tatra, pois claro).
No último dia nas montanhas, deslocámo-nos a Zakopane, considerada a capital de Inverno da Polónia. É palco habitual de provas internacionais de ski, e é bastante popular também para várias actividades relacionadas com montanhismo.
Um teleférico levou-nos ao topo de uma das montanhas, Kasprowy Wierch, a 1987m de altitude, de onde seria possível admirar a paisagem deslumbrante, não fosse o nevoeiro cerrado.
De qualquer forma, deu para conhecer outro país lá em cima. Durante uns minutos estive com os pés na Eslováquia, e devo dizer que não me agradou muito. Branco, moderadamente frio (-11 ºC, na altura), com visibilidade reduzida, escorregadio. Um país muito chato, sinceramente.
Depois de uma refeição ligeira tradicional da montanha - pizza - tornámos a descer e demos uma vista de olhos à cidade, muito orientada ao turismo, com muitas barracas a vender todo o tipo de coisas relacionadas com a montanha. Enfim, depois de umas voltas por lá, uma travessa de carne de porco foi bem-vinda.
No último dia, a caminho de Cracóvia, parámos em Wieliczka, onde se situa uma mina de sal que produziu sal de mesa desde o século XIII até 2007, como uma das mais antigas minas de sal em actividade.
A mina atinge uma profundidade de 327m, mas a visita guiada vai apenas até 135m, abrangindo menos de 1% da sua totalidade.
Ainda assim, foi uma visita bastante interessante, através das suas galerias, passando por inúmeros engenhos antigos, estátuas e outras esculturas feitas ao longo dos anos.
E foi a primeira vez que comi alguma coisa àquela profundidade, o que é sempre relevante.
Enfim, dias bem passados que terminaram mais uma vez em Cracóvia, de onde viajei novamente para a Holanda.
Aqui a neve já quase derretera totalmente, o Inverno deixara de ser branco. O sol brilhava, num atípico céu azul, e os seus raios tocavam agradavelmente a minha cara, disfarçando as temperaturas ainda baixas.
Assim fui recebido em Nijmegen, de forma poética! É pena que a chuva já tenha regressado, e o céu retomado o seu cinzento habitual.
Do widzenia!
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Eu e as flores
Estimados leitores,
Há cerca de um mês que estou a viver próximo do centro de Nijmegen, como já referi anteriormente.
A pouco e pouco vou-me adaptando às minhas novas instalações, comprando aquilo que preciso, e por vezes o que não preciso também, e vou descobrindo algo novo aqui e ali.
Este último ponto é deveras curioso. Eu posso estar muito tempo a viver nalgum sítio sem reparar que esse sítio contém certas e determinadas coisas. Isto acontece regularmente com seres vivos ou não vivos que não me interessam absolutamente nada.
As flores enquadram-se perfeitamente nesta descrição. Quando cá cheguei, encontravam-se já no local alguns exemplares, se bem que só tenha reparado nelas passado uma semana (e só 2 semanas mais tarde me tenha apercebido da presença de mais ainda).
Se, porventura, eu as tivesse comprado com o intuito de tratar delas, até era capaz de fazer uma esforço para me lembrar disso. Mas neste caso não tenho interesse absolutamente nenhum, daí que só muito de vez em quando me lembre de lhes dar água.
Depois há também o problema de eu não fazer a menor ideia com que regularidade, e em que quantidade, lhes devo providenciar essa água. Maior ainda é o problema de eu nem sequer querer saber isso.
E pronto, tudo isto para dizer que as pobres flores não tiveram sorte com o inquilino, como se pode constatar pela foto.
Triste fado, o destas flores.
Se quiserem de alguma forma contribuir para que elas se consigam salvar, podem contactar-me para eu vos indicar o NIB que devem usar para os donativos.
Tot ziens!