sábado, 15 de abril de 2017

Inverno Polaco

Saudações aos meus caríssimos leitores!


Como já tive oportunidade de referir, a minha situação em terras Polacas, a pouco e pouco, vai-se regularizando.

Obviamente que nos últimos meses ficaram coisas por dizer e que, possivelmente por falta de vontade de escrever, nunca deixaram o caderno de rascunhos. Uma boa parte dessa falta de vontade deveu-se, obviamente, à falta de certezas relativamente à minha situação profissional. Infelizmente, quando não tenho emprego sou perseguido por um sentimento de culpa de cada vez que me divirto ou faço algo que possa ser considerado pouco produtivo. Não tenho a personalidade certa para gozar a vida, parece-me.

O lado positivo de tudo isto é que sair pouco à rua durante o Inverno neste país significa estar no quentinho, sem deixar de ter a possibilidade de ver o manto branco deixado pelos nevões. Portanto, não me posso queixar muito do meu primeiro Inverno completo em terras Polacas. Em todo o caso, apesar do frio lá fora se prolongar por mais algum tempo, não foi assim tão pior do que alguns Invernos Holandeses que passei.




O meu apreço por neve e gelo é bastante limitado, depois de vários anos de convívio com esse estado físico da água. É tudo muito bonito, mas dois dias depois já estou farto, e prefiro sinceramente ver a neve enquanto seguro uma chávena quente de café, do lado de dentro da janela.

E o sentimento piora se considerar a alta probabilidade de, logo a seguir ao primeiro nevão, as temperaturas subirem novamente, o que dá origem a água que não sabe bem em que estado deve ficar, resultando numa pastosa mistura que funciona maravilhosamente bem com terra. Nestes casos o branco e fotogénico manto de neve rapidamente se torna numa massa indistinta e suja.

É nessas alturas também que a água vinda do céu, observando as dúvidas da água no chão, não sabe se há-de cair como neve molhada ou como chuva gelada, o que causa incerteza e desconforto quando acerta em cheio nas faces dos transeuntes.




Quando o frio estabilizou, o maior ponto de interesse, para mim, foi a possibilidade de sentir 20 graus negativos nas ventas. Mal vi esse valor no termómetro fui lá para fora, só para bater o meu recorde pessoal. Ao longo de duas ou três semanas as temperaturas foram-se mantendo bastante baixas, o que me deu também a possibilidade de ver o rio local (Wisła, ou Vístula) com a superfície congelada. Tem uma certa piada ver os patos e cisnes do rio, bem como as gaivotas que por ali passam, caminhando pelo gelo ou em busca de comida ao longo das falhas do mesmo.




Ainda assim, e uma vez passado o encanto desses momentos, tudo se torna bastante aborrecido. Com frio extremo a neve vai-se compactando, formando camadas de gelo escorregadio e perigoso para os mais incautos, ainda que se vá espalhando sal e/ou areia para tentar que a neve derreta ou, ao menos, haja um pouco mais de atrito no gelo.


Enquanto isso, fui tendo a oportunidade de testemunhar o reputado smog de Cracóvia. Já tinha ouvido falar e sabia da má qualidade do ar em várias cidades Polacas, mas entretanto pude constatar esse facto. É algo que se consegue ver, em dias limpos e com pouco vento, o que é algo assustador. O que acontece é a produção, durante o Inverno, de mais gases poluentes, principalmente devido à utilização de aquecimento por parte da população (pelo que me dizem, o maior problema tem a ver com a utilização de combustíveis menos próprios na produção de calor, embora não tenha lido muito sobre o assunto). Isto, aliado à situação geográfica da cidade e à falta de vento, faz com que se veja cada vez mais gente pela cidade com máscaras protectoras.




Mas enfim, é tudo muito bonito, os pais puxam os filhos nos seus trenós a caminho da escola, putos constroem bonecos de neve, utilizando para tal bolas de neve que arrastam todo o tipo de objectos estranhos, e observando a neve com mais atenção vejo que está um grande poio perto duma árvore. O poio mexe-se, abre as asas e voa em direcção ao infinito. Era um corvo, na verdade. Mas a neve altera a percepção das coisas. E se calhar a vodka também. A vodka e cocktails com frutos inteiros, uma nova moda que pretendo implementar este ano. Para que se possa brindar "à nossa saúde" e fazer algo mais por isso ao mesmo tempo.





Na zdrowie!

quarta-feira, 29 de março de 2017

Dez Anos

Boas webcams os vejam, caríssimos leitores!


Ultimamente as minhas sessões de escrita na blogosfera praticamente não têm existido, como talvez tenham reparado. Com todas as mudanças e incertezas que preencheram o último ano, o tempo que foi sobrando teve que ser ocupado com outras prioridades.

No entanto, tenho fortes razões para escrever algo neste momento.

Há precisamente dez anos estava eu a ultimar os preparativos para a grande viagem que se avizinhava. Umas horas mais tarde, ainda durante a noite, estaria a caminho do aeroporto de Lisboa, de onde partiria para Itália. Lembro-me perfeitamente de como num desses preparativos tirei, diligentemente, uma fotocópia do bilhete de identidade, para logo de seguida me esquecer do dito documento na fotocopiadora. Clássico. Felizmente tinha comigo o passaporte e pude viajar na mesma.

Mal sabia eu que com esse passo estava a iniciar a primeira de várias aventuras como emigrante. Muito menos imaginaria que dez anos depois estaria a escrevinhar umas frases algo nostálgicas num apartamento em Cracóvia. E, ainda mais inimaginável, que o Benfica estaria a defender o tri-campeonato e a selecção Portuguesa o título Europeu de futebol.


Mais do que nostalgia, sinto um verdadeiro fascínio pelo conjunto de passos que me conduziram a este momento, muitos deles aparentemente inócuos. Se não tivesse dado esse passo rumo ao desconhecido, certamente um ano depois não estaria novamente empenhado em tentar um novo e desconhecido destino e não encontraria aquele emprego naquela cidadezita da ilha verdejante onde não se passa absolutamente nada. Logo, nunca teria marcado encontro num pub com uma certa e determinada jovem que, vinda de terras Polacas, residia nessa mesma cidade.

Isto e um sem número de outras aparentemente minúsculas decisões para chegar aqui, a este momento, àquilo que sou.


Bem, isto está a ficar lamechas, portanto acabo por aqui. Tentarei ser mais assíduo, já que as prioridades acabaram de mudar. Curiosamente, ou não, dez anos depois de me pôr a caminho rumo a uma experiência no sector aero-espacial, acabo por regressar a algo relacionado. Veremos onde me leva mais este pequeno (ou não) passo.


Não me esqueço que num qualquer universo paralelo nunca cheguei a sair da terrinha. Mas com essa história não me tenho que preocupar. O meu Eu paralelo saberá o que fazer.

Também não me esqueço que há um outro universo paralelo em que me especializo em danças exóticas que incluem apenas uma tanga de dióspiros como traje, e que regularmente executo essas mesmas danças na corte do principado da Pontinha, o único local no mundo que ficou intacto depois da guerra das nove semanas e meia. Espero que esse meu Eu paralelo também saiba o que fazer.


Até já!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Devin Townsend

Saudações musicais, caríssimos!


Certamente que já estranhavam a longa ausência da vossa rubrica musical favorita. Infelizmente, com outras prioridades ocupando a minha mente nem sempre reparo nas manifestações de desagrado que os meus discos levam a cabo sempre que passo por perto e não os ponho a tocar.

O último concerto referido aqui foi proporcionado por uma bela banda Portuguesa em solo Holandês. Mas embora tenha demorado até fazer o mesmo aqui, a verdade é que comprei os bilhetes apenas umas semanas depois de pôr os pés na Polónia. Porquê a antecedência na abertura dos cordões à bolsa? Porque não é todos os dias que este senhor passa por perto.


Devin Townsend ou, neste caso, Devin Townsend Project. Este artista Canadiano tem uma produtividade fora do normal e um sem número de projectos paralelos, portanto é um pouco irrelevante qual deles exactamente é que está em tournée.

Senhor de uma voz impressionante, que parece conseguir ir a todo o lado. Tal como o som que se tornou a sua imagem de marca, com a chamada "parede de som" que dá a sensação de se estar a levar com todas aquelas guitarras nas ventas em simultâneo. É metal, é progressivo, e por vezes não é nada disso.

Tem momentos calmos, mas os mais pesados tocam muito fundo. Não há muita música que me emocione tanto como a de Devin Townsend. É raiva, é esperança, é alegria, é uma transe inspiradora que não se explica. Ao vivo tudo isto é exponenciado. Numa palavra: épico. O concerto que eu precisava de ver e ouvir nesta altura.

Vão imediatamente ouvir a obra deste senhor, se ainda não o fizeram. Eu estou neste preciso momento a levar com a parede nos ouvidos.





Do widzenia!

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Belo dia

Ora viva, estimados leitores!


Um belo dia, este que se nos apresentou, não é?

Sem que nada o fizesse prever na madrugada do meu aniversário, acordei por volta das quatro horas da manhã e comecei a pensar em todo o tipo de inutilidades. À falta de melhor solução, peguei no computador e fui tentar fazer algo mais produtivo do que estar simplesmente deitado.

Percebi então que o motivo para ter acordado era o som das Trumpetas anunciando a iminente vitória nas eleições dos Estados Unidos da América por parte de um personagem já por demais mencionado hoje. Tal como refere Miguel Esteves Cardoso, ninguém me avisou que isto podia efectivamente acontecer.


Não esperem de mim uma análise política cuidada da realidade mundial. Para isso já muita gente opina por essa rede fora. Podem esperar, no entanto, uma visão pessimista das coisas sem que seja apresentada grande argumentação para tal - o que não deverá surpreender quem me conhece melhor.

Como acabei de escrever, tenho uma visão do mundo não só pessimista como apocalíptica. Acho que a única solução para este planeta é uma extinção em massa, mas da nossa espécie em particular.

Felizmente a história do planeta Terra mostra-nos que isso não é assim tão improvável. Fenómenos naturais destrutivos são sempre uma opção. Entre terramotos, maremotos, furacões, erupções vulcânicas e picadas de peixe-aranha, há muito cataclismo por onde escolher, embora só uma combinação de vários em simultâneo fosse capaz de fazer mossa significativa.

Uma ocorrência como a muito divulgada de há 66 milhões de anos, que foi chata para os dinossauros e restantes seres da época, era coisa para fazer mais estragos, mas se calhar o pessoal de Hollywood já consegue salvar o planeta de algo que venha em rota de colisão.

Uma epidemia gigante seria a opção seguinte, mas geralmente envolve cenas algo nojentas, sangue por todo o lado, zombies e acaba por se arrastar ao longo do tempo.

Se é para demorar tempo, basta esperar, já que a nossa prolífica espécie é geralmente a causa dos maiores cataclismos. Entre guerras e o conhecido impacto do nosso estilo de vida no meio ambiente, a pouco e pouco o planeta há-de livrar-se de muitos de nós.


Embora não esteja a ver uma solução imediata para os nossos problemas, ela eventualmente virá. Sendo já algo influenciado pela minha localização, as teorias da conspiração (serão mesmo?) começam a pulular no meu pensamento.

Ora, é sabido que Putin está mortinho por invadir a Polónia (e tudo o que está pelo caminho), e agora que os Americanos se estarão a cagar mais do que nunca para a Europa, será que é desta? Trump mandará erguer um muro à volta do país. O mesmo fará o Reino Unido. Depois bastará que os Franceses elejam a Frente Nacional para se ir mais visivelmente espalhando a solução. Os Chineses aproveitarão para tomar posição na base das Lages. E depois teremos apenas de esperar que rebentem uns terroristas, um míssil vindo da Coreia do Norte caia algures ou alguém dê um peido mais alto, e estará tudo novamente à porrada.

Como a guerra é uma actividade com razoáveis emissões de carbono, temos o já mencionado clima a fazer das suas, cada vez mais rapidamente. Será uma guerra muito à base de batalhas navais, já que haverá cada vez menos terra para conquistar. E será tudo com apps também. Apps e drones com mísseis.

E depois desta trabalheira toda afinal serão as máquinas, e respectivas apps, que, num volte-face, destruirão os seus criadores e dominarão o planeta. Mas estas serão máquinas com boas intenções. Começarão a plantar árvores, optarão por combustíveis renováveis, e serão felizes para sempre, desde que eliminem qualquer ser humano que encontrem, ou qualquer indivíduo de uma outra espécie que tenha evoluído para algo próximo.

Enfim, será bem feito.




Apesar de todo este pessimismo ainda tenho alguma esperança que não seja necessário ir tão longe. Depois de, boquiaberto, ter visto o resultado da votação no Brexit e de, boquiaberto, ter visto Éder marcar o golo da vitória de Portugal na final do Euro 2016 e ainda de, boquiaberto, ter assistido às boas novas na noite eleitoral Americana, estou à espera que Sheldon Cooper apareça com a sua típica expressão indicativa de que tudo não passara apenas de uma piada. E que boa piada!




Com visões apocalípticas ou não, o melhor é não levar isto muito a sério. Isso, e produzir álcool, que será bem preciso.





Sorriam! E até breve!