sábado, 14 de novembro de 2015

Absurdidade

Caríssimos,

Tendo em conta a actualidade, as palavras para continuar as minhas dissertações por ordem cronológica não estão a surgir, pelo que vou ter que mandar uns bitaites sobre um assunto que claramente não domino, e sobre o qual nunca me debrucei devidamente.

Falo, claro, dos atentados da noite passada em Paris.


O que me passa pela cabeça, e certamente por muitas outras, quando se sabe de um acontecimento destes, é a eterna questão: Porquê?

Não tenho resposta. Mas tenho a certeza que a complexidade da situação, das suas motivações e origens, me ocuparia o resto da vida, e possivelmente não chegaria à tão desejada resposta.

Da mesma forma, achar que isto é apenas uma questão religiosa seria muito redutor. A única religião sobre a qual posso falar com algum conhecimento de causa é uma das versões do Catolicismo, na qual fui educado. Pouco ou nada sei sobre o Islão. Há já bastante tempo que perdi a crença que outrora julgava ter, na existência de uma entidade suprema omnipresente, omnipotente, omnisciente, e tudo o mais. Sendo a crença de boa parte da minha família, naturalmente respeito-a, mas não consigo ver as coisas dessa forma.

Nestas alturas, não consigo deixar de pensar como a existência de tal divindade pode significar uma crueldade sem limites ou ser simplesmente absurda.

Imagino, por exemplo, um deus que se diverte a enviar bombistas para desestabilizar aquele pessoal que está claramente a divertir-se em demasia. Ou um grupo de deuses a jogar um jogo de tabuleiro, neste caso de formato esférico. Um sem fim de possibilidades.


Mas rapidamente observo que o problema aqui não é o deus A ou B, nem as religiões que os servem. Uma boa parte das grandes religiões têm sangue no seu historial. Mas também o têm outras organizações, grupos, nações ou indivíduos.

O problema aqui é a estupidez humana.

Essa estupidez tem um vasto leque de situações em que se manifesta. Eu próprio sofro de estupidez, mas felizmente com resultados menos extremos.

Como em tudo na vida, quando se exagera na estupidez as coisas podem correr mal. Temos seres humanos achando que o deus em que acreditam quer que massacrem outros seres humanos. Temos seres humanos sentindo-se superiores a outros seres humanos por diferirem na cor da pele. Temos seres humanos enriquecendo com esquemas que prejudicam outros seres humanos. Temos seres humanos usando todo o tipo de artimanhas para passar a perna a outros seres humanos. No fundo temos meio mundo a enganar o outro meio. E vice-versa.

Nestas alturas parece-me que a solução, que há-de chegar mais cedo ou mais tarde, é mesmo a extinção desta praga que se espalhou como um vírus neste mundo. Ou nos destruímos uns aos outros, ou deixamos que o planeta que estamos a danificar trate de nos destruír.

Achamos, na nossa infinita sabedoria, que somos superiores aos outros, e naturalmente as nossas ideias são melhores que as dos outros.

Achamos que somos muito importantes, e como tal podemos usufruir de todos os recursos do planeta em que habitamos, tornando-o inabitável para as gerações futuras.

Não nos apercebemos do quão insignificantes somos, aqui no chamado Cu de Judas, não sabendo nada do que existe lá fora. Melhor, nem sequer sabemos grande coisa sobre o que se passa cá dentro.

Era outra extinção em massa e isto voltaria a ter um futuro risonho.


Enfim, isto são os pensamentos pessimistas que tenho às vezes. No fundo até há boa gente por aí, e se há coisa que faz falta nestas alturas é um pouco de humor.

É tudo muito sério e triste, mas no grande esquema das coisas tudo isto (a vida na Terra, quero eu dizer) não passa de um curto e grosso peido cósmico. Cheira mal, mas não tarda nada já passou.

Como tal, não posso deixar de mandar umas bacoradas de vez em quando, mesmo em situações onde o pessimismo reina.


Para as bestas responsáveis por estes atentados, bem como as bestas do passado, presente e futuro: que vos cresça um pessegueiro no cu.


Enquanto isso não acontece, deixo-vos um dos meus momentos favoritos de todo o sempre, que se enquadra na situação.




Até uma próxima!

domingo, 1 de novembro de 2015

Moonspell

Boa noite, caríssmos leitores!


Avançando para o mês de Março deste ano, venho dedicar umas linhas a uma das minhas bandas Portuguesas favoritas. Devo admitir que se não fossem Portugueses, para mim seriam uma banda porreira mas não lhes dedicaria tanta atenção. Por outro lado, se não fossem Portugueses, possivelmente teriam mais oportunidades para brilhar. Mesmo assim, já o têm feito por esse mundo fora.


Falo dos Moonspell, os quais afirmei, antes do concerto, serem "o meu Tony Carreira". Sendo emigrante, acabo por dar mais atenção a algumas bandas por serem Portuguesas, mas é uma das formas que tenho de manter o contacto com o meu país.

Embora os Moonspell tenham as letras maioritariamente em Inglês, nunca deixaram de inserir elementos das suas raízes em algumas músicas. Seja um pouco no estilo musical, uma quadra dita durante uma música, a piscar o olho à poesia Portuguesa, ou em alguns casos a letra ser mesmo em Português.

Por tudo isto, e porque também gosto da música, particularmente do álbum anterior e alguns clássicos, dos tempos em que ainda me iniciava nestes sons, não quis perder a oportunidade de os ver aqui mesmo, no Doornroosje.

Foi o primeiro concerto da primeira digressão Europeia de promoção do seu mais recente álbum, Extinct. Tivemos direito ainda a uns problemas técnicos, rapidamente solucionados, mas foi um óptimo concerto. A sala não estava cheia, mas bem composta, e embora não aprecie tanto este último álbum como o anterior, os seus pontos altos funcionam bastante bem ao vivo.


O som destes senhores acaba por estar ligado ao meu percurso parcialmente metaleiro, e mais ainda recentemente, tanto pela qualidade nos últimos anos, como também por uma ligação curiosa que percebi terem com a Polónia. Tudo isto me leva a crer que continuarão nos meus ouvidos enquanto for possível.


Apetece-me deixar aqui alguns pedaços musicais não só deste último trabalho mas de sempre.

A primeira faixa que aqui deixo, e que dá o título ao último álbum, é daquelas raras músicas que sou capaz de ouvir em loop quase infinito. O ambiente que conseguem criar tanto me põe a apertar os dentes de raiva como logo a seguir me põe quase a chorar, com aquele refrão romântico-apocalíptico. No fundo sou um lamechas que de vez em quando ouve músicas mais ou menos pesadas.


Moonspell - Extinct



Moonspell - Lickanthrope



Moonspell - Scorpion Flower



Moonspell - Finisterra



Moonspell - Everything Invaded



Moonspell - Nocturna



Moonspell - Opium




Doei!

Cross Linx 2015

Ora viva!


Para não perder o ímpeto, regresso para escrever umas linhas acerca do seguimento natural do Eurosonic. Tal como em anos anteriores, o festival Cross Linx em Groningen fez parte do itinerário.

Desta vez com menos caras conhecidas, pelo menos para mim. Acabou por ser uma noite agradável, de qualquer forma, embora com menos motivos de interesse relativamente aos anos anteriores.

Uma das novidades foi a introdução de uns mini concertos nas "catacumbas" do Oosterpoort. Bilhetes eram distribuídos com alguma antecedência, já que os lugares eram limitados, e pouco antes da hora um guia levava-nos para o local do concerto. Tanto podia ser uma arrecadação como um recanto qualquer por baixo das escadas. Só estive em dois desses concertos, que apreciei bastante, apesar dos locais pouco ortodoxos.

Os concertos na sala principal tiveram acompanhamento da Metropole Orkest. Mark Lanegan convenceu-me, se bem que continuo sem conhecer bem o seu trabalho. Squarepusher teve os seus momentos, mas passa um pouco ao lado das minhas preferências.

Enfim. Mais uma noite musical em boa companhia. Continua a ser um festival agradável e uma boa desculpa para um salto a Groningen.

Ficam aqui alguns vídeos do que vi e ouvi. Houve ainda um concerto com composições de Bryce Dessner, do qual não encontrei vídeos. Mas posso dizer que foi bom, embora já não me recorde de detalhes.


SWOD - Fugitif 1



Mark Lanegan - The Gravedigger's Song



Maarten Vos - Gffe



Squarepusher - Outlander



Doei!

Eurosonic 2015

Bons dias, caríssimos!


Decreto o início da narração das peripécias ocorridas durante o ano de 2015, antes que este termine.


Tal como um ano antes, tive oportunidade de dar um salto a Groningen, no início deste ano, para mais uns dias repletos de música e boa companhia no festival Eurosonic.

Não tenho muito a acrescentar relativamente ao ambiente do festival. O que escrevi para a anterior edição continuou a verificar-se nesta. É um festival que recomendo vivamente a quem gostar de música.

Nesta edição tive a oportunidade de assistir a um dos mini-concertos organizados pela 3FM. Cada concerto durava uns 15 minutos, decorria num contentor e a audiência era composta por umas 30 pessoas. Quem conseguiu um lugar não saberia, até perto da data, quando seria exactamente o concerto. E só mesmo no local seria revelada a banda a actuar, diferente para cada sessão. Foi, portanto, uma experiência interessante que se enquadrou bem no espírito do festival. Para quem quiser, a gravação dessa sessão está aqui. Não apareço no vídeo porque os Holandeses também não são baixos, pelo que devia ter alguns entre mim e as câmaras. As caras de sono devem-se ao facto dessa sessão em particular ter sido por volta do meio-dia.

Uma das particularidades deste festival é ter, em cada edição, um país no qual se focam as atenções musicais. Este ano foi a Islândia, o que significa quantidade e qualidade. A quantidade de boas bandas que brotam desse pequeno país é impressionante. Não perdemos a oportunidade de ouvir novas bandas Islandesas e saímos do festival com a certeza de que estaremos com atenção a algumas delas no futuro.

Não pretendo alongar-me em descrições. Dada a quantidade de concertos a que pude assistir, possivelmente só para o ano é que teria isto pronto.

Deixo-vos apenas vídeos de grande parte das bandas que vi ao vivo e ainda de algumas que não pude ver, mas que já conhecia ou fui conhecendo entretanto. Desfrutem!


DeWolff - Evil Mothergrabber



Fismoll - Trifle



Mammút - Salt



Mister and Mississippi - We Only Part To Meet Again



Sóley - Pretty Face



Samaris - Góða Tungl



God Damn - Heavy Money



Warm Graves - Penumbra



Ylja - Komdu Nær



Low Roar - Breath In



Sólstafir - Lágnætti



Joycut - Wireless



Fufanu - Circus Life



Sväva - Flown



Árstiðir- Ró



Little Dots - Spin The Wheel



Dotan - Home



Condor Gruppe - Ondt Blod



Intertwine - So What



Pandreas - Glimt




Doei!

Monster Truck

Caríssimos!

Para quebrar mais um dos meus interregnos, venho finalizar o ano de 2014 para poder então prosseguir para o corrente ano, finalmente.

Não tenho muito a dizer sobre a banda em questão. Foi um concerto aceitável que arranjámos para a despedida de um amigo que é cliente habitual de eventos em que se pode ouvir música algo pesada.

Sendo assim, fomos até ao Doornroosje para ver os Monster Truck. Não serão uma das minhas bandas favoritas, mas creio que estiveram bem e deram um bom espectáculo para uma noite de rock 'n' roll.

Nada mau para terminar o ano.


Monster Truck - The Lion


Monster Truck - Old Train



Doei!

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Obsidian Kingdom, Sólstafir

Impressionante. Já estou de volta!


Antes de passar ao assunto propriamente dito, gostava de escrever um pouco acerca de uma banda que não aparece muito por aqui: Muse. Sim, esses mesmos, que hoje em dia aparecem nas grandes rádios e enchem estádios nos seus concertos.

Há quinze anos atrás fui com um grande amigo ao festival da Ilha do Ermal, para depois nos encontrarmos com mais alguns por lá. A motivação, para mim, era poder ver ao vivo possivelmente a minha banda favorita da altura, os Deftones, e os Limp Bizkit, que também ouvia nesse tempo.

O local era muito porreiro, e pude finalmente banhar-me no rio Ave, já que na minha terra natal o aspecto da água não é particularmente convidativo.

No primeiro dia do festival, um dos primeiros concertos - dos Asian Dub Foundation, que não conhecia - fora cancelado. No seu lugar tocou uma banda para mim desconhecida também - uns tais de Muse.

O cenário era o típico de um início de tarde num festival. Talvez uma centena de pessoas em frente ao palco principal, pouco alarido, nada fazia prever o que se seguiria. A verdade é que é dos concertos que ainda hoje recordo. Os desconhecidos rockaram e marcaram-nos, brindando-nos com um grande concerto ao qual poucos tiveram o privilégio de assistir.

Hoje olho para eles como para um grupo de velhos amigos. Não deixa de ser estranho lembrar-me desses momentos enquanto vejo imagens de estádios cheios nas suas mais recentes tournées.


Pois bem. Tudo isto para introduzir uma banda, ainda algo desconhecida, que aprecio particularmente.

Chamam-se Obsidian Kingdom e são de Barcelona. E referir-me-ei a um álbum em particular - Mantiis.

Há já um par de anos deparei-me com esta maravilha no Bandcamp e adquiri uma das últimas cópias da primeira edição do CD (mais tarde viria a ter também o LP).

Quando o álbum fez um ano, enviaram-me (a mim e aos restantes compradores da limitada primeira edição do disco) um postal comemorativo. O tipo de atenção que nunca aconteceria, não fosse a banda ainda pequena.

É dos álbuns que mais prazer me deu ouvir nos últimos anos. Pelo que ouvi os trabalhos anteriores caem mais numa espécie de black metal de que não sou grande adepto. Mas neste criaram um mundo com ambientes que variam do mais calmo ao mais brutal, com uma continuidade que me impede de ouvir músicas isoladas. Só faz sentido ouvir isto de uma ponta à outra. Fenomenal.

Em Novembro do ano passado não perdi a oportunidade de os ver ao vivo. E logo aqui em Nijmegen.

Foi a única vez que fui a um concerto de propósito para ver uma banda de suporte. Foi, portanto, um concerto curto. Mas ainda assim eles fizeram uma espécie de medley de vários momentos do álbum e a coisa resultou muito bem.

No final estive um pouco à conversa com alguns membros da banda. Quando lhes pus o postal à frente para autografarem ficaram algo surpresos inicialmente. Não há assim tantos e não estariam à espera de ver um ali.

Não me parece que cheguem a encher estádios, pois este estilo de música é mais "difícil", mas a sensação é semelhante, já que posso dizer que de certa forma contribuí para o seu sucesso ainda numa fase inicial. Se vierem a encher estádios parece-me que deixarão de enviar os postais, infelizmente. Nessa altura lembrar-me-ei certamente desta ocasião com um sorriso nos lábios.


Obsidian Kingdom - Fingers in Anguish



Obsidian Kingdom - Mantiis (completo)




A segunda banda, Sahg, talvez até tenha algum interesse, mas na altura não me puxou nada, portanto não lhes voltei a prestar atenção.


Por fim, a banda Islandesa que encabeçava a noite de concertos, Sólstafir. Não os conhecia antes de saber do concerto, mas já estava convencido de que iria gostar. Com uma espécie de post-metal atmosférico, por vezes melancólico, cantado em Islandês, o seu mais recente álbum captou a minha atenção de imediato. Gostei do concerto, e a verdade é que entretanto me tornei fã deste seu trabalho, portanto a noite valeu também por esta descoberta.


Sólstafir - Lágnætti



Sólstafir - Ótta (completo)




Doei!

Mogwai, take 4; Opeth, take 7

Saudações, caros leitores!


Para optimizar a escrita dos posts que se encontram em lista de espera, aproveito para, muito sucintamente, vos falar de sons vindos de dois concertos distintos, entre Outubro e Novembro do ano passado.

Isto porque creio não ter muito mais a escrever sobre estas bandas. Desde há muitos anos que se encontram constantemente no top das minhas audições e, embora representando estilos bem distintos, são duas das minhas bandas favoritas.


Foi "apenas" a quarta vez que vi Mogwai ao vivo. Recordo-me que a primeira foi no velho Hard Club, no Porto, há mais de 10 anos. Desta vez foi em Utrecht, no Tivoli Vredenburg.

O seu mais recente álbum não será, certamente, o melhor. Mas é bastante sólido e continuo a ouvi-lo com alguma frequência. De certa forma conseguem agregar o som dos seus mais recentes álbuns com alguns elementos dos seus mais longínquos trabalhos, adicionando mais um pouco de electrónica para criar um ambiente novo, mas ao mesmo tempo familiar. Como já disse, não é o meu favorito, mas tem momentos que me levam de volta ao CODY, por exemplo, que muito me marcou.


Mogwai - Simon Ferocious



Mogwai - Blues Hour



Quanto aos senhores que se seguem, os grandes Opeth, foi já a sétima vez que os apanhei por perto (em quatro países diferentes). Foram vistos por mim ao vivo pela primeira vez também no Hard Club. Desta feita foi em Amsterdão, no Heineken Music Hall.

Os mestres confirmaram a sua passagem para o rock progressivo inspirado nos clássicos, sem os rugidos guturais de outrora. Já desde os primórdios que mostravam uma certa apetência para este e outros estilos musicais em voga décadas antes, mas acabavam por nunca estar tão em foco devido ao impacto dos sons mais pesados. Continua a haver algo de pesado no som, mas nada como nos seus tempos idos, em que o black metal estava ainda bem presente. Por mim, tudo bem. Bem superior ao álbum anterior, desta vez acertaram na muche.


Opeth - Eternal Rains Will Come



Opeth - Voice of Treason




Sendo assim, mais dois grandes concertos a juntar à já respeitável colecção em exposição nas galerias da minha memória.

Voltarei em breve para mais música.


Doei!

sábado, 26 de setembro de 2015

PAUS, Maybeshewill

Caríssimos,

Com vontade de pôr a escrita a par com a cronologia, venho falar-vos brevemente sobre um fim-de-semana longínquo, em meados de Outubro do ano passado, no qual tive música de sobra.

Começando com a vinda de uma banda Portuguesa a um bar de concertos aqui em Nijmegen. Falo dos PAUSno Merleyn.

Não os conheço particularmente bem, mas a sua música interessou-me o suficiente para lá dar um salto.

E se gosto da música deles em casa, ao vivo ainda soa melhor. Quase não dá descanso, com os dois bateristas em constante actividade. Energia foi a palavra de ordem.

PAUS - Corta Vazas



Para o dia seguinte tinha agendada uma visita ao já habitual 013, em Tilburg. Desta feita para ver os Ingleses Maybeshewill. Esta banda atraiu-me inicialmente com um post-rock um pouco mais puxado que parece ter acalmado um pouco no seu mais recente álbum, com alguma electrónica e momentos mais atmosféricos.

Estes jovens têm alguns dos momentos musicais mais épicos em que pus os ouvidos ultimamente.

Maybeshewill - Opening / Take this to Heart


Maybeshewill - In Amber



E pronto, por agora é isto. Tenho ainda muito que escrever.

Doei!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Vagueando pelo meu país

Caríssimos,

Consigo sentir a ansiedade que paira desse lado do ecrã. Mas nada temam. Estou de volta para vos contar as mais recentes novidades... de há quase um ano atrás, claro está. Sem mais demoras, portanto, pois sinto também alguma impaciência.


Uma das minhas queixas recorrentes, e que obviamente resulta de decisões minhas, refere-se ao número de viagens que faço. Por um lado viajo bastante, mas por outro, devido à minha localização geográfica relativa às daqueles que me são mais próximos (não geograficamente), viajo sempre para os mesmos sítios.

Embora pretenda dar saltos maiores por aí, há muito que gostaria de ver melhor o que sempre esteve por perto.

Com esse objectivo em mente, decidi aproveitar um casamento na família, no final de Setembro de 2014, para dar uma volta por uma parte do meu país. Há muito que quero não só ver como dar a mostrar à minha cara metade algumas das maravilhas de Portugal.

O itinerário escolhido partiria da capital, dado que o casamento seria nos arredores. Mas um dos momentos de que não abdico quando vou à minha terra consiste em passar pela praia e sentir aquele aroma marítimo. Basta estar lá uns minutos e já me sinto melhor.



Depois do casório, uma curta passagem por Lisboa para admirar o maior monumento nacional. Devo dizer que nunca gostei daquela espécie de redoma à volta da estátua do Rei, mas era paragem obrigatória. Depois fomos rapidamente dar uma vista de olhos à zona de Belém, porque pelos vistos também há uns monumentos engraçados por lá.








De qualquer forma Lisboa terá que ficar para uma próxima. Não fazia parte da nossa rota, portanto seguimos para o que seria o ponto de partida da viagem, um pouco a Norte. 

Mafra. Como estava ali à mão, aproveitámos para visitar o palácio-convento, que impera no centro da vila. Um palácio onde rei e rainha se refugiavam da vida cansativa na capital, e onde estavam mais à vontade. Tão à vontade que cada um ficava no seu torreão, com uns 200m de distância entre eles.

É engraçado, mas vou deixar que as fotos se descrevam a si mesmas, senão corro o risco de nunca mais acabar este texto.


























Próxima paragem: Neolítico. Já bem no interior, e tendo Évora como destino ao fim do dia, fomos vaguear à volta de e por entre monumentos megalíticos, nomeadamente o Menir e o Cromeleque dos Almendres.

Há algo de mágico numa caminhada de final de tarde, já com pouca gente por ali, rodeados de monumentos milenares.















Para terminar o dia em beleza, gastronomia Alentejana em Évora. O restaurante em questão foi o melhor cartão de visita da cidade que poderíamos ter encontrado. Menu não havia. As deliciosas iguarias eram trazidas aos poucos e em quantidades generosas. A única decisão que tivemos que tomar foi a da temperatura da água que veio para a mesa. Quanto ao resto, não mudaria nada de qualquer forma.

No dia seguinte o objectivo era conhecer um pouco melhor a cidade. Já lá tinha estado, mas os anos que entretanto passaram foram apagando a maior parte das memórias.

Uma cidade com muita história, com Celtas, Romanos, Visigodos e Mouros (e possivelmente outros), até à chamada Reconquista.

Há muito para ver, mas o que mais me ficou impresso na mente foi a Capela dos Ossos. É um daqueles locais com um certo impacto. Desde a inscrição na entrada (de que gosto particularmente), - "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos" - até ao seu sinistro interior, há um peso que se abate sobre quem lá põe os pés. Pelo menos comigo foi assim. Uma sensação nada desagradável, mas poderosa.
































Já de olho no Norte, uma curta paragem para ver Évora no horizonte, do cimo do castelo de Evoramonte.













A ideia era mais ao fim do dia começar um roteiro que nos faria passar por algumas das aldeias históricas de Portugal.

A primeira foi Idanha-a-Velha. Vaguear por aquelas ruas é como andar pelo passado. Uma aldeia claramente envelhecida, mas com um charme que poucas conseguem ter.

E não deixámos de ter direito ao momento cliché do dia. Ao chegarmos aos arredores da aldeia de carro (onde estacionámos), estávamos a ser "seguidos" por uma viatura policial. Depois de umas voltas pela aldeia fomos ao café local para tomar qualquer coisa. Os agentes da autoridade estavam no seu momento de pausa, desfrutando de um jogo da Liga dos Campeões e da correspondente mini. De qualquer forma não consta que houvesse qualquer problema a necessitar de intervenção policial nas redondezas.












Só mesmo ao final o dia é que chegámos a Monsanto. Já há algum tempo que tinha interesse em dar uma vista de olhos a esta fotogénica aldeia.

Foi pena termos tido tão pouco tempo com luz, mas por outro lado não me posso queixar, pois assistir ao belo anoitecer não foi nada mau.




















No dia seguinte continuámos a nossa jornada por mais algumas aldeias, ou neste caso vilas, históricas. Desta feita, uma que visitara já há uns valentes anos, Belmonte.


Chegámos lá propositadamente à hora de almoço, para ver o castelo e almoçar, claro está. Acontece que na aldeia onde nasceu Pedro Álvares Cabral o castelo também fecha para almoço, pelo que apenas pudemos tirar umas fotos nos poucos minutos que nos foi permitido ali permanecer.

Não pude também deixar de fotografar o momento em que a funcionária responsável fechava o castelo. Não é todos os dias que se vê alguém a fechar um castelo para ir almoçar.













O destino final desse dia era a vila de Almeida. Com as suas espectaculares fortificações a toda a volta, encontrámos bastantes motivos de interesse para o resto do dia.


Para não fugir à regra até aí, fomos mais uma vez muito bem recebidos e presenteados com boa comida e bebida, a uns passos da fronteira.
















Como estávamos numa espécie de viagem pelas várias fases da história de Portugal, não podíamos perder a oportunidade de ir ao passado mais distante. 
Decidimos então colocar no nosso mapa Vila Nova de Foz Côa, mais concretamente algumas das gravuras rupestres que têm vindo a ser descobertas naquela zona.

Demos primeiro um salto ao museu do Côa e depois tivemos uma visita guiada ao núcleo de arte rupestre da Penascosa.

Há pedaços de história interessantes para ouvir, gravuras para tentar vislumbrar e compreender e, para quem ache que isto não chega, o percurso até ao vale, de todo-o-terreno, percorrendo as encostas de onde se tem uma vista privilegiada para a deslumbrante paisagem da região.

Também merece destaque a loja localizada no início da visita, em Castelo Melhor, onde se pode encontrar todo o tipo de produtos locais, de grande qualidade. Praticamente todas as semanas (para ver se dura um pouco mais) degusto um pouco do mel que trouxe de lá, e só me arrependo de não ter trazido mais.






















Regressados ao nosso poiso em terras Vilacondenses, foi tempo de dar uma ajuda na vindima.





E para finalizar não podia faltar mais um pouco de história. Depois de tantos anos a viver naquela zona, alguns dos quais frequentando aquela praia, só agora começo a ganhar interesse neste tema.


Tinha que dar um salto ao castro de São Paio. Só muito recentemente me apercebi da existência de ruínas de diversas antigas povoações (castros, neste caso) por toda a região, que são anteriores à presença Romana.

Contrariamente ao que sempre pensei, principalmente devido à nossa auto-denominação de Lusos, Lusitanos, e derivados, nesta zona andavam outros povos que não os ditos Lusitanos. Possivelmente não seriam um povo no seu todo (antes um conjunto de tribos dispersas), mas devo estar mais próximo da realidade se me referir àquela gente como os Galaicos, mais próximos dos povos que andaram pela actual Galiza que dos Lusitanos, a Sul do Douro.

Há algo de místico neste tema que me atrai cada vez mais, mas a verdade é que pouco se sabe sobre estes povos. As poucas ruínas que restam, o facto de pouco terem deixado escrito e, não menos importante, o poder que os Romanos exerceram na região mais tarde (limpando certamente muitos dos vestígios dessa cultura mais antiga) dificultam a obtenção de informações.











Um passeio cheio de história, belas paisagens, hospitalidade e óptima gastronomia. Há sempre roteiros por fazer e locais por visitar, mas tem que ser aos poucos.




Até à próxima!