domingo, 30 de outubro de 2011

Polónia em família, e um pouco de Berlim

Estimados e assíduos leitores,

No final do mês de Setembro os meus progenitores viajaram com o intuito de me visitarem mais uma vez. Mas, como já tinham vindo à Holanda há um ano, deram um salto um pouco maior e encontraram-me numa das minhas estadias na Polónia.

Sendo assim decidi, pela primeira vez, ir para lá com o meu bólide, de modo a ter transporte mais conveniente para longas distâncias. Claro que esta conveniência traz algumas inconveniências também, desde logo o trânsito em Cracóvia, mas por outro lado os transportes públicos não seriam também a melhor opção.

A viagem de ida decorreu sem sobressaltos, apesar do abrandamento natural ao entrar na Polónia, resultante do simples facto desse país ter limites de velocidade nas auto-estradas, ao contrário de grande parte da Alemanha, que acabara de atravessar. Na verdade julgava que seria pior. A Polónia tem ainda poucas auto-estradas, mas por coincidência uma delas liga o sul da Alemanha a Cracóvia, que era precisamente o que eu pretendia.


Uma vez lá chegado, na quarta-feira 28 de Setembro, e depois da recepção dos visitantes no aeroporto, nada melhor que um jantar num dos restaurantes típicos da cidade, como preparação para os dias seguintes.

O primeiro dia foi obviamente dedicado à visita do centro histórico da cidade, passando pela incontornável basílica de Sta. Maria, toda a praça principal e ruas circundantes, bem como um sem número de outras igrejas até terminar na colina de Wawel e respectiva catedral, palácio e museu.








No dia seguinte optámos por tratar logo de assuntos sérios. Todos fomos lá pela primeira vez, e não há como fugir, se quisermos passar por um dos locais que a história recente colocou no mapa: Oświęcim ou, o nome em Alemão por que ficou ficou conhecido, Auschwitz.

Já lá vão mais de 60 anos, mas a Segunda Guerra Mundial está ainda bem presente em conversas com Polacos. O seu país esteve ocupado durante toda a guerra e toda a gente teve algum antepassado que de alguma forma participou na guerra, sendo que muitos aí pereceram. Não é surpreendente, portanto, que monumentos em memória aos que perderam a vida durante esse período sejam bastante comuns pelo país.

Devo confessar que recentemente tenho tentado estudar um pouco da história que deveria ter aprendido na escola. Com esta visita, o meu foco de interesse virou-se definitivamente para as grandes guerras do século XX, principalmente a segunda.

Existiam três campos de concentração nas redondezas de Auschwitz. O principal servia de centro administrativo, tendo sido palco de inúmeras execuções de prisioneiros de guerra. Esse local serve hoje de museu, onde se pode ter uma ideia de como tudo se processava. É, inevitavelmente, um local que impressiona. Algumas partes da exposição estão mesmo feitas para ter um impacto fortíssimo no visitante e, tendo em conta o que ali se passou, não é para menos.







Bem perto, em Brzezinka (Birkenau em Alemão), situava-se o segundo campo, este já criado como um campo de extermínio. Enquanto que o primeiro impressiona pela forma como expõe os acontecimentos aos visitantes, o segundo impressiona principalmente pela noção que dá da magnitude dos acontecimentos. Hoje é mantido como um memorial, com algumas informações ao longo do complexo, mas sem distrair o visitante do essencial. E o essencial é uma pessoa aperceber-se da dimensão do complexo e pensar um pouco sobre como é possível aquilo ter acontecido. O local parece ter uma aura negra à sua volta. Ao avistar aquele portão que tantas vezes vira em fotos, e por onde entrava directamente a linha ferroviária, uma sensação estranha abateu-se sobre mim, quase me obrigando a suster a respiração.

É um local um pouco difícil mas que não deve faltar para quem quer visitar a Polónia e conhecer um pouco da sua história.










Bem, passando a coisas mais agradáveis. No fim-de-semana fomos até Kielce, para momentos de conversa (difícil, é certo, dado o grau de exigência das muitas traduções necessárias) e boa comida e bebida. Pelo caminho passámos por um museu ao ar livre, em Tokarnia, que apresenta diversos edifícios de madeira, ao estilo da antiga Polónia rural.


















Depois do fim-de-semana, e depois de já termos entrado em várias igrejas durante os dias anteriores, era tempo de entrar na última e mostrar à minha mãe o equivalente Polaco de Fátima, Częstochowa.

Aqui situa-se o mosteiro de Jasna Góra. É um local de peregrinação principalmente pela presença da imagem da Nossa Senhora de Częstochowa, ou Virgem Negra se quiserem, à qual são atribuídos diversos milagres.





O dia seguinte foi dedicado a um dos museus existentes na praça principal de Cracóvia, neste caso a galeria de arte Polaca do século XIX e mais alguns passeios pelo centro, mais com o intuito de comprar os sempre necessários souvenirs.

E assim foi. Penso que não foi uma má introdução da Polónia. Um pouco limitada geograficamente, mas para o pouco tempo disponível não poderia ter sido muito melhor.



Na viagem de volta fiz um desvio para passar pela capital da Alemanha, devido a compromissos profissionais.
Foi a primeira vez que lá fui, e pouco deu para ver. Ainda assim deixo algumas fotos.








Do widzenia!

1 observação(ões) de carácter irónico ou mordaz:

Ana Silva disse...

Bela descrição da visita familiar (nem era de esperar outra coisa de ti). Pela parte que me toca fiquei encantada.Obrigada.
A mãe babada